Mas o universo continua lá, inatingível, coerente, em milhares de constelações e nebulosas que me abarcam o olhar, me repreendem os sentidos quando me afasto daquilo que sou e me domesticam a alma quando me deixo seduzir por orgulhos mais terrenos.
Criados do mesmo pó interestelar, esses seres imensos que se movimentam serenamente pelas forças gravitacionais do cosmos, cumprem escrupulosamente cálculos matemáticos mas continuam completamente alheios aos problemas que nos ensombram os orçamentos de estado deste nosso país onde a matemática parece nunca se aplicar.
Somos feitos de um pó agrupado num resultado instável mas fantástico, filtrados pelas imensas teias do universo que sem objectivos estipulados nem projectos definidos fizeram de nós uma criação magnífica, frágil e volátil.
Serão eles os deuses sem religião nem compaixão cujo inventário vamos anotando e arquivando na nossa memória colectiva e intemporal?
O universo é assim, vasto e profícuo nas suas intenções sem intenções definidas e nós seremos tão somente, sempre e só, os escribas com lições vagas de uma escrita que não dominamos, desses deuses que eu só vejo quando me lembro de erguer o olhar.
Serão eles os deuses sem religião nem compaixão cujo inventário vamos anotando e arquivando na nossa memória colectiva e intemporal?
O universo é assim, vasto e profícuo nas suas intenções sem intenções definidas e nós seremos tão somente, sempre e só, os escribas com lições vagas de uma escrita que não dominamos, desses deuses que eu só vejo quando me lembro de erguer o olhar.

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